| ENTREVISTA COM MADALENA BARRANCO |
|
|
|
|
Madalena, como você se define?
Como uma pessoa que sempre quis trazer o mundo da fantasia à realidade e que cultua a natureza da alma humana em harmonia com a natureza propriamente dita do planeta Terra. E que gostaria muito de ouvir mais da boca do mundo algo assim como: “eu sonho em...”; “estou lutando para conseguir...”; “as árvores têm braços e as flores têm rostos”; “o céu é azul claro e também escuro”. Por isso, para mim, palavras unidas são frases “inventadas”, e essa foi a impressão que tive quando ganhei meu primeiro livro de minha mãe aos seis anos, o “Manual do Prof. Pardal”, que pertencia a uma série inteligente de livros baseados em personagens da Disney. Em vez de interessar-me pela física e ciências, como sugeria a personagem, assim como fez meu irmão, eu torci o assunto para as letras de que eu sempre gostei... Principalmente da literatura que eu chamo de feliz e misteriosa ao mesmo tempo, e por que não dizer também, má, pois tudo tem seu lado bom e ruim, e que floresce nos gêneros de literatura fantástica e histórias de fadas. Eu não me refiro a literatura apenas infanto-juvenil, e sim àquela que faz bem a todos porque ajuda a despertar a magia pessoal através da fantasia. As pessoas precisam de sonhos fabricados para viver, que se traduzem em fantasia > aqueles sonhos que segundo J.R.R.Tolkien em seu ensaio “Sobre histórias de fadas”, são necessários antes para os adultos do que para as crianças, que não se esqueceram da fórmula mágica de cultivar sonhos.
Você está feliz na internet de hoje?
Sim, estou muito feliz. Há alguns anos eu não teria a oportunidade de hoje, que é de divulgar meu trabalho como escritora, de fazer inúmeros contatos com leitores e escritores em uma forma de interação rápida, que me permite construtivas amizades e aprendizado, ao mesmo tempo em que serve de termômetro quanto à aceitação dos meus textos. Eu concordo com o Juliano Spyer, autor do livro sobre internet lançado neste ano: “Conectado”, de que a internet passa por uma fase de transição de aproximadamente dez anos, onde as pessoas ainda estão descobrindo a internet e o que fazer com ela. Ou seja, nesse tempo a rede definir-se-á de acordo com seu uso inteligente ou não.
Você é uma das pessoas mais ativas da web. Então, como é ter que participar de tantos sites?
Eu gostaria de ser mais ativa (risos). Mas, eu gosto de dar atenção especial para cada site ou blog literários onde sou acolhida por pessoas que trabalham pela divulgação da literatura, principalmente apoiando escritores novos. Nisso, acabo me estendendo além da conta e deixo às vezes de participar de todos os lugares e concursos de que eu gostaria e às vezes demoro um pouco para responder as mensagens. Respondendo a outra parte de sua pergunta, eu diria que é uma emoção indescritível saber que sou aceita. Acho que isso acontece com todo mundo: na sociedade é muito importante ser aceito, ainda mais na internet, onde a maior parte do que circula é escrito – e eu sempre digo que: o que se escreve deve ser cultivado com educação porque as palavras ficam gravadas em HDs, CDs, etc., e ninguém sabe se um dia lá no futuro, assim como sugeriu meu amigo escritor Aguinaldo Araújo Ramos (um dos autores do livro Apoena – lançado neste ano), se alguém irá encontrá-los e decodificá-los e até se emocionar com a história de seus antepassados... Quando eu comecei a usar a internet, meu primo conhecido na rede como Idic, que é especialista em computadores e internet, me disse que a fórmula de sucesso e longa vida nos relacionamentos da rede era a boa educação. Eu venho cultivando boas relações com o mundo da literatura na rede há quatro anos e minha participação nos referidos sites é resultado desse trabalho e da boa vontade dos proprietários dos sites. Eu gostaria de citar a escritora Ana Guimarães, que participa dessa interação há mais tempo do que eu, e ela sabe da importância e do trabalho que dá construir esses elos de aceitação. No início eu me apoiei no exemplo da Ana Guimarães e em um dos primeiros fóruns literários de que participei: o da Ponto de Vista Literatura, aos quais eu agradeço.
Desde que você começou a freqüentar o GO, você tem demonstrado um desejo de participar de tudo, inclusive de política, por quê?
Eu entrei para o GO atraída pelo Jorge Antonio do blog 1. de Vista e pela possibilidade de voltar a interagir com os participantes e amigos do citado fórum, atualmente off-line, da Ponto de Vista Literatura. Aí, fiz uma cópia do meu blog original letras de Morango, do espaço Blogger e comecei a postar, onde eu apenas senti falta dos recursos que me permitiriam colocar mais imagens, pois eu trabalho também com as cores e imagens para incrementar meus textos. Depois, eu percebi que o movimento no GO e a interação eram além do esperado e uni o útil ao agradável, utilizando-me do GO para manter os amigos, conhecer novos amigos e divulgar-me. Ao conhecer os blogs dos novos amiGOs eu comecei também a entrar no universo de outros assuntos além da literatura, assim como a política, que nunca me interessou muito - confesso que eu apenas me interessava na hora de escolher os candidatos... (risos). E agora através da Bruna Presmic e do Carlos Senna Junior (este entrevistador) e seu blog Opinão Geral, eu e outras pessoas ganhamos a oportunidade de opinar sobre as leis que se fazem em nosso país e sua política, onde através da internet podemos fazer valer a nossa palavra de forma inteligente.
Você concorda com estudos que mostram que no futuro, daqui a uns 50 anos, a web vai formar uma consciência coletiva capaz de comandar tudo?
Não, Carlos. Eu acho que os braços, pés e cabeça da rede são bem mais ligeiros do que parecem e crescem rapidamente. Eu concordo com o Juliano Spyer, autor do livro “Conectado”, quando sugere que em dez anos teremos uma definição da idéia que temos de “consciência coletiva”, que poderá ser utilizada para o bem da humanidade, ou... Poderá ser uma arma que se voltará contra os usuários em matéria de controle, que nos remete ao velho e temerário conhecido “Big Brother”. Há algo mais também que está em estudo em vários países, sendo que o Brasil também está incluído, que é a pesquisa para a construção do computador quântico. Meu irmão, o Prof. Dr. Antonio Vidiella Barranco, físico, é um dos cientistas brasileiros que fazem parte do grupo mundial desse projeto. Tudo leva a crer que o mundo vai mudar com a inimaginável capacidade do novo computador. E eu penso o seguinte: uma vez que se aumentem os recursos das máquinas, imaginem o que poderá acontecer com a internet. Mas, isso é uma conversa para um futuro ainda bem distante. Ou não?!
E que esta consciência coletiva vai mostrar que a rede não tem dono, ou líder, ou até um guru?
Isso vai depender da consciência e do uso que as pessoas fizerem da rede. Como eu disse acima, se o uso for inteligente a favor do bem e da humanidade, não teremos líderes, e sim grupos com as teclas unidas e as telas acesas em paz. No entanto, a idéia de donos e gurus me apavora, porque isso seria o mesmo que retroceder na história mundial e permitir-se virar alvo de controle.
Mudando de assunto, você tem livros editados?
Por enquanto eu apenas participei de algumas antologias de poesias e um conto em conjunto com outros autores. Tenho livros de contos, crônicas, ensaios, poesia contemporânea, poesia & pensamentos (este último em conjunto com minha mãe) e um romance - todos inéditos – sendo que alguns estão completos e outros em preparação, do gênero literatura fantástica. Também estou desenvolvendo um livro com tendência à literatura infanto-juvenil (ao estilo dos contos que publico no site Cronopinhos). Deste meu trabalho eu me permito publicar uma amostra em sites e blogs, como material de divulgação e interação com o público leitor e também como chamariz para as editoras.
Você sonha com isto?
Sim, eu desejo publicá-los. A rede me oferece a chance de divulgar meu trabalho a baixíssimo custo. Eu já passei pela fase obrigatória de todo escritor, que é enviar cópias de seus livros para várias editoras e não conseguir publicá-los. A melhor forma de fazê-lo, segundo o exemplo de muitos escritores novos, está na rede e na participação de concursos.
A rede apresenta às vezes um outro lado das pessoas. Muitos trabalham em uma área, e na rede fazem outra coisa. O que você faz pra viver?
Como não posso, por enquanto, viver exclusivamente de minhas “frases inventadas” (risos) eu traduzo espanhol, apenas o necessário para me manter. Eu dedico a maior parte do tempo para escrever e divulgar-me.
É feliz com tudo que faz?
Sim – nunca me senti tão bem em levar adiante meu projeto de escrever. Às vezes, privar-se de algo material para investir em um sonho é a melhor fórmula para ser feliz. Principalmente quando se começa a ter um retorno do que se faz.
Quais são seus planos dentro da web?
Cultivar amizades, descobrir esse o mundo novo que a rede nos apresenta a cada clique, divulgar meu trabalho e com ele, ajudar a despertar a magia pessoal dos leitores, através do redescobrimento da fantasia e... Muitas outras coisas que aparecem todos os dias. Basta acender a tela para que a magia aconteça.
Acha possível qualidade com audiência dentro da internet, hoje?
Claro. As pessoas fazem a qualidade e também se interessam por buscá-la – aí acontecem os elos de ouro da rede. Porém, como o “mundo” está inserido na internet, existe também o bom e o ruim – cabe às pessoas escolher. Um ótimo exemplo de blog de qualidade é o Ramosforest do nosso amiGO Luiz Ramos Filho, que trabalha a favor de uma Web2 de qualidade neste espaço, entre outros blogs maravilhosos deste espaço que eu adoraria citar, mas que não caberiam nestas linhas.
O que é a literatura para você?
A expressão escrita da humanidade integral: através da razão e da emoção.
Poderia relacionar todos os sites onde você aparece, para deixarmos um link?
Blocos Portal de Literatura e Cultura, de Leila Miccolís e Urhacy Faustino
Coletânea Artesanal, blog de literatura e artes de Lunna Guedes
Comunidade Maytê por um novo mundo, portal de assuntos diversos de Maytê e Vânia Moreira Diniz, onde mantenho uma coluna na seção de literatura: “Fantasia e seus mistérios”
Cronopinhos, site de literatura infanto-juvenil do Cronópios de Edson Cruz e Pipol
Debaixo do Bulcão, blog poezine de Portugal, de António Vitorino
Garganta da Serpente, site de literatura de Agostina, de visual exótico
Jornal de Poesia, de Soares Feitosa, onde ele gentilmente colocou meu link
Jornal O Rebate, blog de literatura de Selmo Vasconcellos
Leia Livro, site de incentivo à leitura do governo de São Paulo, coordenado por Juliano Spyer, autor do livro Conectado
Letras de MoranGO, meu blog de prosa e poesia aqui no GO
Letras de Morango, meu blog original de prosa e poesia no Blogger
Site da Magriça, de literatura da Magriça.
A cada dia dentro do GO aumenta a sua legião de fãs. Como você pretende lidar com isto?
Agora eu fiquei ruborizada... (risos). Saber que as pessoas se interessam pelo meu trabalho e principalmente pela minha proposta é o melhor presente para o escritor. Para lidar com isso... Não há outro jeito, senão dar a cada leitor a atenção que merece – onde estou aberta a críticas e sugestões. Isso exige tempo e carinho. Ainda bem que conto com o inestimável apoio de minha mãe e de minhas personagens fantásticas para me ajudar a responder (risos). Em meu minúsculo escritório aqui em casa, composto de uma escrivaninha, biblioteca e computador, com criaturas fantásticas brigando por um espaço (duendes, fadas, anjos, bruxas) eu tento lidar com isso e não sei se consigo acertar...
E isto acontece nos outros sites?
Sim e não, por que às vezes a interação é satisfatória, outras não. No entanto, é no GO onde há maior número de acessos ao meu blog Letras de Morango.
Acho que para iniciar está bom – em breve a gente volta a conversar com você. Ainda há muita coisa para conversar...
Agradeço-lhe a oportunidade e a agradável surpresa que me fez com o convite para participar desta primeira entrevista, de um projeto tão interessante e útil para humanidade e para nosso querido espaço GO, nesta fase que eu considero crucial na rede, de transição mundial. Estou a sua disposição e já à espera das próximas entrevistas com outras pessoas que prometem ser super interessantes!
|
|
|
|
|